Thursday, July 18, 2019

Mercado de jogos de tabuleiro ganha espaço no Brasil

Empresas nacionais lançam títulos originais e também de outros países© Getty Images Empresas nacionais lançam títulos originais e também de outros países
Resumo:


  • O setor de jogos de tabuleiros modernos foi responsável por cerca de R$ 665 milhões do faturamento da indústria de brinquedos nacional;
  • Em 2018, mais de 4.000 “boardgames” foram lançados no mundo todo;
  • Conclave, Galápagos, Calamity Games, Papergames, Meeple BR e Bucaneiros são algumas das editoras brasileiras de jogos de tabuleiro;
  • O Diversão Offline, evento dedicado ao hobby, recebeu 18 mil pessoas e movimentou R$ 2 milhões no mercado de jogos analógicos ao longo de seis edições.
Em tempos de alta tecnologia, o chamado jogo analógico não apenas resiste, como vai bem, obrigado. Segundo dados da Pesquisa Game Brasil 2019, 28% da população do país se diverte com tabuleiros (“boardgames”), fatia próxima dos que jogam cartas – 34%. O segmento representou 9,7% das vendas do setor de brinquedos, de um total de R$ 6,871 bilhões, em 2018. A indústria dos jogos analógicos como um todo também teve um crescimento de 7,5% no ano, como se vê em levantamento da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq).
Em todo o mundo, foram lançados mais de 4.000 jogos de tabuleiro em 2018, segundo o site especializado “BoardGameGeek”. O número se explica pela demanda. Só no Brasil, de acordo com o Censo Ludopedia 2018, que traça o perfil do jogador nacional, 66% das pessoas investem em “boardgames”. Só neste ano títulos lançados ou em desenvolvimento já somam 421.
“Os jogos modernos são mais fáceis de jogar. Têm partidas curtas, não longas como as de ‘War’ e ‘Monopoly’”, explica Cristiano Cuty, diretor de criação e produção da Conclave Games, editora nacional de jogos. Cuty produzia fanzines (revistas artesanais feitas por fãs) do universo geek, nos anos 1990. Em 2003, fundou a Conclave, que, então, apenas publicava livros de ficção e jogos autorais de RPG. Só em 2014, a empresa começou o licenciamento de jogos de tabuleiro. “Hoje, os “boardgames” representam 85% da nossa produção”, conta Cuty. No ano passado, a Conclave Games faturou R$ 1,5 milhão.
Em 2014, Diego Bianchini, sócio-fundador de outra editora, a Meeple BR, expandiu seu hobby. No início, comercializava peças e componentes de “boardgames” pelo Facebook. “No final de 2015, vimos a oportunidade de licenciar e distribuir com exclusividade no Brasil vários dos jogos que eu gostava de jogar”, relembra Bianchini. De 2017 para 2018, a empresa teve um crescimento de 120%, e neste ano espera saltar mais 70%.
“Root” chegou ao Brasil neste ano, mas sua primeira tiragem se esgotou rapidamente© Divulgaçãp/Meeple BR “Root” chegou ao Brasil neste ano, mas sua primeira tiragem se esgotou rapidamente
Trajetória mais diversificada e certeira teve o casal Thiago Castro e Milene Ferrari, que já ingressou com a editora Bucaneiros em vários nichos do jogo analógico. A primeira investida foi em 2014, quando eles abriram uma loja online de “boardgames” com títulos de terceiros. No ano seguinte, foi a vez da loja física – que era também um bar de jogos – em Bauru, interior de São Paulo.
Castro descobriu os inserts (organizadores de peças) e o sleeve, a película plástica que envolve e protege as cartas de plástico, e começou a fabricá-los e vender pelas redes sociais – até para outras empresas do ramo. “Os grandes jogos demoravam para começar. Com os organizadores, o tempo de preparação é menor”, explica. Em 2017, o casal decidiu fechar o bar – que já dividia espaço com as máquinas de produção das peças – e se dedicar com mais força a elas, que passaram a ser produzidas em um galpão direcionado. Em 2019, criaram a editora e importaram três jogos para o país.
“Totihuacan” é o exclusivo mais vendido da empresa. Possui também o seu organizador próprio (à esq.)© Divulgação Bucaneiros “Totihuacan” é o exclusivo mais vendido da empresa. Possui também o seu organizador próprio (à esq.)
Caso de marca brasileira que despertou interesse de fora, a Galápagos Jogos, fundada em 2009, faturou R$ 16 milhões em 2017 e foi comprada pelo grupo francês Asmodee no ano seguinte. A editora começou oferecendo atividades lúdicas de treinamento para empresas. “O sonho sempre foi ter uma editora no varejo. Em 2012, mudamos o modelo para o atual. Criamos também produções próprias e licenciamos títulos internacionais”, conta Yuri Fang, presidente e sócio-fundador da Galápagos. Em 2018, a empresa lançou 73 jogos.
Ao ver o potencial crescente do mercado de tabuleiros, Paula Soares e Marina Miranda fizeram, em maio de 2018, um financiamento coletivo para licenciar “Merlin” e “Metro”, títulos da alemã Queen Games, pela Calamity Games. “Como grandes amantes de “boardgames”, e depois de considerar vários modelos de negócio, chegamos à conclusão de que o melhor para nós seria abrir uma editora, unindo a nossa paixão ao trabalho”, dizem as donas da Calamity. Depois disso, lançaram também jogos próprios. De outubro do ano passado até maio deste ano, o faturamento da empresa foi de R$ 300 mil.
O financiamento coletivo dos jogos da Calamity foi apoiado por 202 pessoas e atingiu R$ 54.806 no Catarse© Divulgação Calamity Games O financiamento coletivo dos jogos da Calamity foi apoiado por 202 pessoas e atingiu R$ 54.806 no Catarse
Iniciada em 2015 no Rio de Janeiro, de olho nesse mercado crescente, a feira Diversão Offline chegou neste ano à sua sexta edição – a segunda realizada em São Paulo. Cerca de 5.600 pessoas compareceram ao evento voltado aos jogos análógicos. Ao todo, 32 marcas participaram da feira, que movimentou R$ 800 mil, segundo a organizadora, Fernanda Sereno.
“A ideia do evento surgiu com a necessidade de ir além dos pequenos espaços reservados ao segmento nas feiras de cultura pop”, conta Fernanda. “Tenho muito orgulho de ver o mercado brasileiro se orientando pela nossa feira. Hoje, as marcas fazem lançamentos de jogos, financiamentos coletivos e mockups no evento.” Nos seus quatro anos, pelos cálculos de Fernanda, a Diversão Offline já atraiu mais de 18 mil fãs dos “boardgames” e movimentou vultosos R$ 2 milhões.
O desafio de atrair novos jogadores
Atualmente, o preço ainda é um entrave para o mercado. Segundo o Censo Ludopedia 2018, realizado em um fórum de jogadores, 57% dos jogadores consideram o preço elevado um dos fatores que impedem um consumo maior no segmento de “boardgames”, enquanto 67% dos entrevistados dizem gastar mais de R$ 100 por mês com jogos de tabuleiro. Preços menores, em suma, poderiam chamar novos “players”.
“O mercado consumidor está estagnado pela situação macroeconômica, e o de “boardgames” foi um dos poucos que ainda teve expansão, apesar da crise. Mesmo com grana curta, os jogadores guardam uma parte para isso”, comenta Fernanda, da feira Diversão Offline.
Para Eduardo Cella, um dos sócios da editora Papergames, que pôs o primeiro título no mercado em 2016, os impostos são um impeditivo para o segmento. “Há o custo de importar o jogo do país de origem e nacionalizá-lo, além dos impostos. O frete também encarece o preço final”, diz. Por outro lado, afirma, produzir no país não é uma solução, pois o valor final é quase o mesmo de importar.
“Kingdomino” é um dos principais jogos da empresa e possui outra versão intitulada de “Queendomino”© Divulgação Papergames “Kingdomino” é um dos principais jogos da empresa e possui outra versão intitulada de “Queendomino”
“Queríamos ter a possibilidade de fazer jogos no Brasil. A produção hoje é concentrada no Japão e na China”, comenta o CEO da Galápagos Jogos, Yuri Fang. Segundo ele, a empresa tem planos futuros de achar soluções para isso na América Latina. Na Europa, diz, o mercado é tão desenvolvido que há fábricas especializadas em componentes de “boardgames”. O parque fabril nacional, por sua vez, tem baixa especialização.
Além de ser difícil competir com a produção de peças fora do país, os editores precisam superar a barreira do estigma para atingir o grande público. “Os jogos ainda são vistos como coisa de criança ou de nerd. É preciso criar uma cultura nova de jogos de tabuleiro”, afirma Thiago Castro, da Bucaneiros. Para ele, é necessário chegar ao grande varejo.
Mas já foi pior. Cristiano Cuty, da Conclave, lembra que o país passou por um tipo de apagão nesse segmento. Nos anos 1980, havia poucos jogos licenciados e muitos copiados das empresas de fora. “Isso tornou o país suspeito aos olhos dos outros países. Agora, estamos retomando essa conexão com os mercados internacionais e trazendo títulos e jogabilidades inéditas”, explica.
As fundadoras da Calamity Games veem a burocracia como empecilho, mas também enxergam potencial no segmento. Uma estratégia para captar novos públicos são os jogos conhecidos como “familiares”, “de festa” e de “entrada”. No caso da Papergames, esses jogos representam 80% do catálogo. “A ideia é que todos joguem: pais e filhos, casais e grupos de amigos, sem dificuldade”, explica Cella. Fang, da Galápagos, vai na mesma linha. “Não há jogos que agradem a todos, mas há pelo um jogo para cada jogador.”
“Munchkin” (à esq.) foi um dos jogos para chegar no público geek, enquanto “Black Stories” (centro) atingiu também o público geral© Divulgação Galápagos Jogos “Munchkin” (à esq.) foi um dos jogos para chegar no público geek, enquanto “Black Stories” (centro) atingiu também o público geral
Próxima jogada
As expectativas dos empresários para os próximos anos são otimistas. Todos os entrevistados acreditam que o mercado vai seguir crescendo.
Um dos caminhos para continuar a crescer é firmar parcerias com grandes marcas internacionais. A Conclave, por exemplo, foi responsável por licenciar o título “Gnomópolis”, da alemã Board Game Box, no Brasil. Juntas, as empresas também levaram o jogo para China, Holanda eRepública Tcheca.
“Gnomopolis” pode ser jogado por até quatro pessoas e tem duração de 30-45min© Divulgação Conclave “Gnomopolis” pode ser jogado por até quatro pessoas e tem duração de 30-45min
A editora também terá um estande na SPIEL 19, a maior feira de jogos de tabuleiro do mundo, que acontece em Essen, na Alemanha. “Queremos transformar a empresa em algo mundial, acompanhando o mercado, que também tem essa escala”, diz Cuty. Segundo o diretor, levar a empresa para o cenário internacional diminui os custos de produção de material.
A aquisição da Galápagos pela francesa Asmodee é considerada estratégica pelo fundador da editora brasileira. “Isso facilitou o acesso a um grande catálogo de títulos internacionais de qualidade”, explica Fang. Para ele, o mercado nacional também vai se favorecer com a visibilidade do país na indústria internacional.
Novas trilhas também devem ser tomadas pela feira Diversão Offline. A organização pretende levar o evento a outras cidades, além do Rio e de São Paulo. “Brasíliae Manaus são alguns dos focos. Há iniciativas locais que crescem e popularizam o hobby nas regiões”, explica Fernanda Sereno.
Fonte : MSN
https://www.msn.com/pt-br/dinheiro/economia-e-negocios/mercado-de-jogos-de-tabuleiro-ganha-espaço-no-brasil/ar-AAEp2EE?ocid=sf

Monday, February 18, 2019

10 tendências de negócio que têm tudo para bombar em 2019



A palavra que definirá 2019 para os empreendimentos brasileiros é “consumo”. O otimismo está forte no empresariado, seja pela previsão de crescimento de 2,7% no Produto Interno Bruto (PIB) neste ano ou pelo índice da Bolsa de Valores de São Paulo, o Ibovespa, ter chegado a bater 96 mil pontos na semana passada. Se a retomada do crescimento se confirmar, negócios inovadores poderão aproveitar a disposição dos brasileiros em voltar a comprar.
Por isso, boa parte das tendências de negócios que têm tudo para bombar em 2019 têm como objetivo melhorar serviços e produtos aos usuários finais. É o caso de startups de setores como serviços financeiros e mobilidade urbana. Outra finalidade é ajudar na captação dos melhores clientes, como empreendimentos que atuem com marketing digital.
Confira, a seguir, 10 tendências de negócio que têm tudo para bombar em 2019:

1 — Blockchain

Em 2019, especialistas apostam que o blockchain, uma tecnologia de registro que usa a descentralização como medida de segurança, finalmente será usado como um diferencial. “Há empresas que dizem fazer uso da tecnologia, mas seus clientes não veem a diferença. Agora, veremos empresas possíveis apenas por meio do blockchain”, afirma Alan Leite, CEO da aceleradora Startup Farm.
A maioria associa o blockchain apenas às criptomoedas – mas a tecnologia pode ser empregada em diversos setores. “O potencial é revolucionário e vai impactar radicalmente o setor bancário e de saúde, por exemplo”, diz Luís Gustavo Lima, sócio da aceleradora ACE.
Um levantamento feito à pedido da Folha de São Paulo apontou que, das 4.200 empresas que fazem parte da Associação Brasileira de Startups (ABStartups), somente nove aderiram e aplicaram a tecnologia blockchain em seus negócios.
Já há algumas iniciativas internacionais, como o Hyperledger, projeto de código aberto da The Linux Foundation que reúne nomes como Accenture, Allianz, IBM, Intel, JP Morgan e Deutsche Börse, entre outras organizações que têm aderido à iniciativa. Outro projeto no qual vale ficar de olho é o consórcio R3, que trabalha com mais de 80 membros como bancos, reguladores e parceiros tecnológicos para desenvolver projetos como a plataforma de blockchain Corda, o “novo sistema operacional” do mercado financeiro.

2 — Fintech

As startups de serviços financeiros existem há anos: o Brasil fechou agosto de 2018 com 453 startups financeiras em operação, de acordo com o Radar FintechLab, um crescimento de 23% sobre 2017. O bom momento para elas no Brasil continuará em 2019, na visão de todos os especialistas consultados.
“Ainda temos um cenário de concentração de serviços financeiros e algumas microáreas podem crescer, como microcrédito, crédito consignado e seguros [insurtechs]”, afirma Pedro Ramos, conselheiro da Associação Brasileira de Startups (ABStartups). Já Leite, da Startup Farm, aposta também nas insurtechs e nas fintechs que trabalhem com a digitalização do dinheiro, seja nos bancos digitais ou nos pagamentos.

3 — Inteligência artificial

A inteligência artificial, que faz algoritmos identificarem tendências de maneira cada vez mais similar ao cérebro humano, é a aposta de gigantes como Baidu e Google há anos. “Não é exagero dizer que quase tudo relacionado com nossa vida cotidiana e nas empresas terá participação direta desse tipo de tecnologia”, afirma Lima, da ACE.
Algumas aplicações específicas que podem bombar em 2019 são interfaces conversacionais, especialmente para dispositivos mobile e para equipamentos em casa, o que nos leva à próxima tendência.

4 — Internet das coisas

A internet das coisas é uma rede de objetos que, por meio de sensores e conexões com a rede, possibilita a coleta e transmissão de dados. Os smart devices, como são chamadas esses equipamentos inteligentes, já estão presentes em prédios conectados de cidades como São Paulo, afirma Leite, da Startup Farm. “A IoT, como é chamada, veio para ficar, porque é um dos vetores do desenvolvimento da indústria 4.0”, complementa Lima, da ACE.

5 — Lojas físicas e digitais integradas

Com o avanço das compras pela internet, há quem pense que os dias das lojas físicas estão contados. Mas as pessoas não vão parar de comprar presencialmente. “Os pedidos online por serviços de entrega, porém, mudam bastante a relação entre físico e digital. O consumidor quer ter seu produto a qualquer momento, então o online deve ser conveniente. Enquanto isso, a loja física vira um espaço de experiência”, diz Leite.

6 — Marketing digital

Para Ramos, da ABStartups, o marketing dá diferencial às empresas e neste ano não será diferente. Com a retomada do consumo, será preciso investir na área para ganhar visibilidade. Empreendimentos que apostam na publicidade, especialmente no econômico meio digital, irão bombar neste ano. “O advertising é a base da internet e vejo negócios interessantes na área, como mídia programática.”

7 — Mobilidade urbana

Assim como as fintechs, negócios de mobilidade urbana vêm surgindo e se popularizando nos últimos anos. O que começou com os serviços de motoristas, como 99 e Uber, expandiu-se para startups de bicicletas, patinetes e até caminhões, afirma Ramos. “Todas as grandes metrópoles brasileiras irão aproveitar esse momento.”

8 — Proteção de dados

Vazamentos de dados de usuários na internet, como o que aconteceu na rede social Facebook, aumentaram as preocupações com privacidade. Por aqui, foi sancionada a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que visa garantir a privacidade e a segurança das informações pessoais dos brasileiros a partir de fevereiro de 2020.
Pela autorização de uso de dados gerados na internet ser um direito dos usuários, empresas terão de se adequar às normas. Para Lima, sócio da aceleradora ACE, a oportunidade está em soluções que gerenciem a privacidade dos clientes.

9 — Realidade mista

A realidade mista, ou híbrida, une características da realidade virtual com as de realidade aumentada. Para Leite, a realidade mista está presente nas nossas vidas, ainda que de forma tímida. É o caso, por exemplo, do jogo para celular Pokémon Go. Em 2019, essa tecnologia deverá se expandir para mais aplicações.

10 — Saúde e bem-estar

Não é preciso dizer que os mercados de saúde e bem-estar possuem sérias lacunas no Brasil. Por isso, todos estão de olho em plataformas que barateiam e aumentam a acessibilidade aos serviços de saúde. “É o caso, por exemplo, das plataformas Dr. Consulta, de clínicas de baixo custo, e Vittude, para atendimento psicológico”, afirma Leite, da Startup Farm.
“São custos altos para todos, então desde hospitais públicos ao Alber Einstein [hospital de alto padrão] estão procurando novas formas de atendimento e de realização de exames.”
Fonte : Revista Exame